quarta-feira

60

Não sei o que dizer porque não sei o que estou a sentir.
Estou a passar por uma experiência nova, num sítio e língua completamente diferentes. Já conheci muitas pessoas de diferentes pontos do mundo. Já andei a passear pelo país (mas ainda muito pouco). Já fiz isto e aquilo, e continuo sem saber o que estou a fazer.
Deixei muito por fazer e dizer, em casa. Sofro de um constante "inconseguimento". Não consigo deixar as coisas penduradas, mas também não consigo pegar nelas e arrumá-las [metáfora de quem passou parte do verão a tratar da casa, nomeadamente da roupa]. Não consigo não pensar no que poderia ter sido, ter dito, ter feito .. e, mesmo assim, não as consegui(r) fazer ou dizer. Não sei com (e em) que pé vim para aqui, e não sei com qual vou voltar. Não consigo tirar o nó da garganta.

Sempre me queixei - e muito! - das injustiças da vida. E existem, muitas. Já me fartei de insultar o destino, por me ter trocado as voltas. Ainda defendo que o mundo é perverso, e tem um péssimo timing. Agora, acho que eu sempre me sabotei, a mim mesma. Sou eu que não vou pelos caminhos certos, sou eu que não faço as coisas a tempo, sou eu que tenho mais medo de falhar do que qualquer outra coisa. E, se porventura ganho coragem, critico o mundo por me pegar partidas e não me dar o que eu quero, como eu quero, quando quero. Sempre achei que devia culpabilizar os outros pela forma como me fazem sentir, até sobre mim mesma. E, inconscientemente, que lhes podia cobrar isso. Eu sinto e, muitas vezes, em demasia. Eu sonho, sempre alto demais. Eu espero muito dos outros e do mundo, e acabo por cair do meu próprio pedestal.


[ Família que ainda frequenta este blog: não se preocupem com isto, nem comigo! Está tudo a correr bem por aqui, apesar do frio. Não ando a "deprimir", mas morro de saudades de casa!! Ando a conhecer imensa gente, e a divertir-me muito! Mas, preciso sempre de alguns momentos de introspecção ... Muitos beijinhos e abraços fortes! ]

segunda-feira

59


Parte dois.
Esta música também é da Capicua mas, ao contrário da anterior, só ouvi poucas vezes. E dessas poucas vezes, fez-me sentir um bocadinho mais confiante, e deu-me vontade de andar e seguir em frente. Por isso é que referi a "coragem" no post anterior, na primeira parte.
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Mas esta vontade de andar para a frente, de ter coragem, é fugaz. É um momento em que penso para mim mesma "agora sim! agora consigo!", e depois acordo. Volto a cair na rotina de me queixar, na mágoa de não saber o que fazer, e fico-me pela vontade. Que, por mais forte que seja não passa de um desejo imaginado, como os que se fazem ao apagar velas.

Mais uma vez, mostro a letra, com a opção de ouvir a música.

http://letras.com/capicua/1784158/

domingo

58


Este texto é a primeira parte de um desabafo (quase) contraditório. Tem música, tristeza, e coragem. Quero acreditar que com isto possa chegar a bonança que a tempestade da minha cabeça e coração necessitam. O tempo, que dizem que cura tudo, parece não passar! E,de repente, já se passaram meia dúzia de anos, e continua tudo igual (ou volta sempre ao mesmo?).

Como sempre, considero que existe uma (ou até várias) música(s) que retrata (quase) perfeitamente algumas situações. Existe uma que está presente no meu quotidiano, tanto nos ouvidos e na boca, como na consciência. Um loop eterno, em que dou por mim a cantá-la até em sonhos. Como é que a reflexão, o desabafo, a angústia de outra pessoa assenta como uma luva na minha "situação"? Quase que desejo ter sido eu a escrevê-la primeiro. É como um espelho em forma de poema cantado, em que eu me revejo e me apercebo do que sinto.

A música é da (grande!!) artista Capicua, e portanto é do estilo hip hop. Por isso mesmo, vou deixar aqui o link de uma página em que tem a letra da música, e a opção - para quem quiser - de ouvir a mesma. Na minha opinião moldada, vale a pena ouvir e acompanhar a letra, mas cada um faz como melhor entender.

http://letras.com/capicua/hora-certa/

quarta-feira

57

É incrível como o nosso organismo funciona. Como a vida joga com todas as peças que lhe apresentam, como se tudo fosse um peão num macabro jogo de paciência. Com a cabeça desligada, a alma desfeita, as lágrimas iminentes e a coragem escondido, ainda consegui a proeza de ficar doente. Mais ainda. Dores de garganta, para combinar com as que tenho de consciência. Pingo do nariz, para fazer companhia ao pingo de segurança que tenho. Arrepios que me magoam as mãos, pés, e cabeça. Todo o meu sistema funcional foi abaixo, e o imunitário quis imitá-lo. Obrigada, sinto-me muito mais completa. Completamente mal.

Mas tudo passa! E isto vai passar, com muito lenços, muita medicação, muito queixume, e muita força de vontade. E muito tempo, muito mesmo.

56

When people stop writing, it’s one of two things - they are either really fucking happy or broken beyond repair.” Ming D. Liu

Há uns dias deparei-me com esta citação e, depois de muito tempo sem cá vir, achei que já estava na altura de regressar.

A verdade é que nenhumas das hipóteses acima corresponde ao meu caso. Sim, já tive momentos em que me senti nas nuvens, e outros na sarjeta. Dias em que o Sol me aquecia a pele e a alma, e outros em que tudo era cinzento. Momentos bons, e momentos maus. Como tudo na vida, é necessário equilíbrio. E é com essa ideia em mente que acordo todos os dias, e consigo passar o dia em paz. Ou pelo menos tento.
Outras vezes, não escrevo porque, com tanta coisa na cabeça, é-me difícil manter um pensamento racional e coerente, quanto mais transformá-lo numa frase. Ou então, é pura preguiça.
Seja como for, não é nada alarmante, é só preguicite com uma pitada de distracção.

segunda-feira

55

Há quem diga que só ouvimos e entendemos verdadeiramente as músicas quando estamos felizes e em paz. Eu acho que é exactamente o contrário. Qualquer música tem uma memória a ela agarrada. Qualquer memória tem uma música que a explica. E assim sucessivamente.
Mesmo as músicas alegres e esperançosas, como "We can work it out" (http://www.youtube.com/watch?v=ZNfuTDbdKoY), ou clássicas e melancólicas como tantas do Caeteno Veloso (http://www.youtube.com/watch?v=fwdGWiONMBw). Algumas mais modernas e directas, como "Heartbreaker" (http://www.youtube.com/watch?v=lpxvaFXUzZ8), ou algumas homónimas, tristes, mas ainda assim diferentes, como as "This Time" (http://www.youtube.com/watch?v=iWsVg-zvsoU&http://www.youtube.com/watch?v=44r-jLqCGwg ).
Por fim, a que mais me assegura da verdade dos acontecimentos é a "Weights & Measures" dos Dry the River, também repleta de histórias e memórias.


Já não consigo ter um momento de paz em que não penso em mais nada, em que olho pela 
janela e só ver o mundo a passar, sem me focar em nada em concreto. A música deixou de ser 
o meu porto seguro.

terça-feira

54

http://www.youtube.com/watch?v=8FJUD0rEPWM

Esta música é sobre as partidas que a vida e os olhos nos fazem. Quantas vezes vimos alguém e quase a chamamos, e depois apercebemo-nos que não era? Ou entramos numa sala e reconhecemos um cheiro, e por um segundo sabemos quem vamos encontrar, e a sala está vazia..

Mostrei esta música ao meu pai e ele gostou. Sei que nao foi pela música em si, mas pela mensagem, ou pelo efeito que teve em mim. Apesar de ser um cegueta, consegue ver bem o que se passa à sua volta. Quando quer ver.